Introdução ao Compartilhamento de Rede de Acesso - RAN SHARING

As empresas de telefonia celular estão cada vez mais parecidas em termos de serviços oferecidos. Como as novidades tecnológicas são semelhantes e o desempenho, em grande parte, também, resta a cada empresa oferecer o melhor plano para o usuário. Assim, a briga por tarifas cada vez é mais visível.

Ao longo dos anos, embora nossas tarifas ainda sejam muito caras (em grande parte pelos impostos) se comparadas às de países mais desenvolvidos, a verdade é que os preços despencaram. Uma operadora em especial impulsionou os preços para baixo oferecendo ligações por um preço fixo, não importando o tempo que se fale.

RAN sharingAinda neste compasso, o usuário, pessoa física ou jurídica, observou que poderia fazer grande economia se utilizasse para a família ou empresa, celulares da mesma operadora. Novas estratégias foram traçadas porque os gastos com a comunicação eram cada vez maiores.
Diante desse quadro, as empresas de telefonia celular foram baixando tarifas e se ajustando à nova realidade. Para diminuir seu custos fixos começaram a compartilhar o mesmo ambiente para suas BTSs. Uma torre e um mesmo local (site) passou a ser utilizado por mais de uma operadora, diminuindo custos com aluguel, manutenção de terreno, torre etc. Mas até então a rede utilizada não era compartilhada. Até então... Isso porque uma nova modalidade de compartilhamento está por vir aqui no Brasil, o RAN sharing.
RAN = Radio Access Network / Sharing = compartilhamento

O RAN sharing consiste no compartilhamento da BTS e da BSC por mais de uma operadora, conforme diagrama acima. 
Nele, uma só BTS irradia o sinal de duas ou mais operadoras de telefonia celular. Se uma determinada empresa já cobre uma área com sua BTS, tanto a BTS quanto a BSC podem ser utilizadas por uma outra empresa de telefonia celular, diminuindo os custos com CAPEX (investimento) e OPEX (custeio). Esta BSC possui, neste esquema, "saída" para duas centrais de operadoras distintas, cada uma fazendo a comutação da chamada de seu usuário.

Alguns pontos são críticos neste tipo de topologia, tais como capacidade de tráfego de voz e dados cada operadora, a capacidade de saída de tráfego de cada uma das BSCs etc.
 Vários aspectos ainda precisam ser abordados, principalmente a compatibilidade técnica, o que ainda deve fazer com que este tipo de compartilhamento demore um pouco  a ser implementado.

Vale lembrar que isso também implica em redução de mão de obra, já que requer menos profissionais para manutenção. Isso sempre é preocupante, já que o incremento da automação vem diminuindo a necessidade de profissionais empenhados em determinadas atividades.



A TIM e a Oi assinaram um memorando de entendimento para ampliar o ran sharing (compartilhamento dos equipamentos de acesso da rede wireless) também para a rede 3G. Segundo o vice-presidente de assuntos regulatórios da TIM, Mario Girasole, as duas operadoras vão estudar as localidades onde este compartilhamento será confirmado. Ele explicou que a ideia é fazer o acordo para as novas e pequenas cidades  que terão que ser cobertas para atender ao edital da terceira geração, lançado em 2007, mas que tem metas de cobertura a serem cumpridas até 2015.


No entender do executivo, ainda não está muito claro se as empresas precisarão submeter este acordo também à aprovação prévia da Anatel, visto que a agência já autorizou esta modalidade de compartilhamento para a faixa de 2,5 GHz. “Mas se precisarmos de nova aprovação da Anatel, nós o faremos”, afirmou.

As duas operadoras assinaram o acordo de ran sharing – que prevê o uso conjunto dos equipamentos de acesso à rede, mas não permite o compartilhamento das frequências – para atender às obrigações do leilão da 4G, que determinou a cobertura com LTE  das cidades da Copa do Mundo, que começa agora em junho, das sub-sedes e de todas as capitais brasileiras.



Um dos saldos positivos da introdução das redes de banda larga móveis no Brasil foi a consolidação do compartilhamento de infraestrutura entre as operadoras. Hoje, é intensa a troca de sites e redes de backhaul entre as diferentes teles, inclusive com a construção conjunta de um grande backbone nacional Entre Vivo, TIM, Claro e GVT. Mas existe um próximo passo que começa a ser planejado pelas empresas que é o RAN (Radio Access Network) sharing, ou o comaprtilhamento da rede de acesso de rádio. A proposta foi colocada publicamente por Janilson Júnior, gerente de inovação da TIM Brasil, que falou durante o 3º Seminário Wireless Broadband, organizado pela TELETIME nesta quinta, 1, em São Paulo. Ele destacou que existe, nas redes de banda larga móveis (3G e 4G), uma tendência inexorável de aumento do custo incremental de longo prazo, o que coloca forte pressão sobre a otimização da rede e gestão de custos. Um desses elementos de otimização e racionalização de custos é o compartilhamento. Hoje, a TIM compartilha 40% dos sites e boa parte do seu backhaul, e quer expandir essa política para elementos ativos da rede, como as estações radiobase, e fazer o RAN sharing, uma tendência que já se verifica em outros países.

Para Leonardo Capdeville, diretor de planejamento da Vivo, essa é de fato uma tendência importante e que desperta o interesse da operadora. Atualmente, contudo, a Vivo atua no sentido de ampliar a cobertura com rede própria, levando até o final do próximo ano a sua rede 3G para 2,83 mil municípios em todo o Brasil, o que a forçará a construir boa parte da rede nessas cidades. "Mas estamos nos preparando para compartilhar essa nossa rede com quem quiser e vamos compartilhar rede de outros operadores em cidades onde não estamos indo", explica. A Vivo alega que essa forte expansão do serviço 3G tem uma componente social importante, mas também é positiva economicamente para a operadora quando olhada em conjunto. "Em casos isolados, a rede pode não ter retorno, mas no cômputo final, essa expansão é um bom negócio para a empresa".


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