Resumo Telecom 25/11/2014


O GLOBO - RJ - Dilma antecipa dois nomes do PT para o Ministério
O ESTADO DE S. PAULO - SP  - *Telefonia do País está entre as mais caras; Os gargalos do País
VALOR ECONÔMICO - SP  - Companhias de telecom investem R$ 19 bi no país, NII, dona da Nextel, faz acordo com credores, BT negocia com Telefónica a compra de volta da O2
CORREIO BRAZILIENSE - DF  - * Brasil paga caro por telefonia
CARTA CAPITAL - SP  - *A essencialidade do acesso, *A insaciável sede de dados , *Essencial e estável , *Sem mais o que falar
BRASIL ECONÔMICO  - Sobe e desce


O GLOBO - RJ 
O PAÍS 25/11/2014
 
Dilma antecipa dois nomes do PT para o Ministério
Miguel Rossetto vai para Secretaria-Geral, e Carlos Guedes, para o MDA
 
SIMONE IGLESIAS E FERNANDA KRAKOVICS opais@ oglobo.com. br

Para conter a insatisfação do PT com Kátia Abreu na Agricultura, Miguel Rossetto deve ir para a Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Carvalho. -BRASÍLIA- Como forma de tentar minimizar a insatisfação da esquerda do PT por convidar o ortodoxo Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), para a Agricultura, a presidente Dilma Rousseff resolveu antecipar para quintafeira o anúncio dos petistas Miguel Rossetto para a Secretaria-Geral e de Carlos Guedes de Guedes para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Dilma também deve manter José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça, apesar do desejo dele de ser indicado para a vaga deixada por Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF).

Rossetto e Guedes integram a Democracia Socialista, corrente mais à esquerda do PT e crítica à indicação de Levy e Kátia. Rossetto está no Desenvolvimento Agrário e passou a integrar o núcleo político de Dilma durante a campanha eleitoral. Sua ida para o Planalto era dada como certa pela proximidade com a presidente. Guedes é presidente do Incra e afilhado político de Rossetto.

No caso do Ministério da Justiça, pessoas próximas à presidente afirmam que ela não quer mexer na pasta “no meio do furacão” da Operação Lava-Jato, que investiga esquema de desvio de dinheiro na Petrobras.

Além disso, a indicação de Cardozo para o STF, que precisaria ser aprovada pelo Congresso em votação secreta, enfrenta resistência do PMDB. Os peemedebistas não engoliram a revista feita pela Polícia Federal, durante a campanha eleitoral, em avião da comitiva do senador Lobão Filho (PMDB-MA), que disputou o governo do Maranhão.

WAGNER COTADO PARA COMUNICAÇÕES
Dilma marcou para a próxima quintafeira a oficialização da nova equipe econômica, liderada por Joaquim Levy, Nelson Barbosa, Alexandre Tombini e Armando Monteiro. Pressionada pelas críticas públicas de petistas, incluiu nessa primeira leva Rossetto e Guedes.

Cotado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que acabou indo para Monteiro, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), foi avisado por Dilma na semana passada que ela daria o ministério a um empresário. Ontem à noite, ele se reuniu com a presidente no Palácio do Planalto. Interlocutores palacianos afirmaram que Wagner poderia ir para o Ministério das Comunicações.

Além de ter que equacionar um começo de crise com o PT, Dilma começou a negociar espaços com o PMDB. Os dirigentes do partido reagiram à decisão da presidente de convidar Kátia Abreu sem avisar nem ao menos o vicepresidente Michel Temer, que é também presidente nacional do PMDB.

Ontem pela manhã, no Palácio da Alvorada, a presidente recebeu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDBAL), e fez elogios ao ministro do Turismo, Vinícius Lages, sinalizando anunciar sua permanência na pasta. Lages é aliado do presidente do Senado. Renan, no entanto, afirmou que qualquer definição sobre o Ministério tem que ser discutida com o partido e não apenas com ele.


Temer afirma que ida de Kátia Abreu para Agricultura não está decidida
Vice-presidente elogia senadora, mas diz que nomes do PMDB para o Ministério só serão escolhidos em dezembro
CATARINA ALENCASTRO catarina. alencastro@ bsb.oglobo.com. br

-BRASÍLIA- O vice-presidente Michel Temer disse ontem que não está definida a ida da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura, como tem sido aventado. Ele contou que conversou com a presidente Dilma Rousseff na semana passada sobre a participação do PMDB no segundo mandato, mas que só em meados de dezembro é que devem ser fechados nomes. Temer minimizou as críticas a Kátia nas redes sociais.

— Não há decisão a respeito disso. Pelo menos no tocante ao PMDB, tudo ficou para dezembro. Segundo ponto, seja quem seja (sic) indicado haverá os que criticam ou elogiam, as redes sociais são assim. (Kátia) É um bom nome no Senado, mas tudo isso será decidido lá na frente — disse o vice, especificando que entre 15 e 17 de dezembro deverá haver definições sobre indicações de quadros peemedebistas para compor a equipe de Dilma a partir de 2015.

Segundo Temer, a prioridade de Dilma agora é a equipe econômica:

— A presidente vai verificar esta semana se decide a questão da área econômica. E o restante fica para depois.

Atualmente, o PMDB conta com cinco ministérios na Esplanada — Minas e Energia (Edison Lobão), Turismo (Vinícius Lages), Agricultura (Neri Geller), Previdência (Garibaldi Alves) e Aviação Civil (Moreira Franco). Auxiliares de Dilma disseram que o espaço que o PMDB terá no segundo mandato também levará em conta o arranjo em torno das presidências da Câmara e do Senado.

As resistências a Kátia Abreu giram em torno de a ruralista ser novata na sigla. Ela trocou o PSD, de Kassab, pelo PMDB há um ano, e há senadores peemedebistas mais antigos que esperavam ser escolhidos. Além disso, a pasta da Agricultura é considerada feudo da bancada do PMDB na Câmara, que cobraria uma compensação, caso seja preterida.


Senadores petistas defendem Joaquim Levy
Humberto Costa lembra, porém, que condução da política econômica é de Dilma

-BRASÍLIA- Em meio à insatisfação dos aliados com os nomes ventilados para compor o próximo Ministério da presidente Dilma Rousseff, os senadores petistas Humberto Costa (PE) e Jorge Viana (AC) saíram ontem em defesa dos possíveis escolhidos para evitar um processo de “fritura” antecipado.

— Que não morram de véspera os pessimistas, porque o (joaquim) Levy ainda nem chegou à Fazenda, e será o guardião do modelo de desenvolvimento que mostrou que dá certo e que é exitoso. A presidente Dilma jamais abrirá mão de ser ela a condutora da política de desenvolvimento — frisou Costa.

O líder do PT no Senado disse que saía em defesa dos nomes para acabar com o “malestar” que estavam tentando disseminar dentro do partido.

— Queremos fazer parte daqueles que querem colocar água na fervura — disse Costa.

Já o senador Jorge Viana foi mais enfático ao elogiar Joaquim Levy, lembrando que ele foi do governo Lula e que a presidente Dilma está escolhendo nomes para fazer correção de rumo na condução da política econômica.

— O Ministério da Fazenda estará em boas mãos. O Joaquim Levy é mais completo: não é banqueiro, é do mundo da economia e tem contato com a vida real — disse Viana.

Muitos aliados, porém, estão com o pé atrás com os nomes cogitados para a nova equipe de Dilma. Alguns mais explicitamente, como o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), que criticou no Twitter a escolha de Kátia Abreu para a Agricultura:

“Eu seria hipócrita se mudasse de opinião sobre Kátia Abreu. Como dep. (sic) do DEM teve papel relevante para impedir por muitos anos a votação da PEC da expropriação das terras usadas para trabalho escravo. Ela também teve papel relevante para pasteurizar o Código Florestal. Para a militância dos direitos humanos são dois temas centrais. Também tem forte contencioso com indígenas e quilombolas. A reação ao nome dela é forte nos movimentos”.

Deputados da base aliada criticam a falta de habilidade da presidente na montagem do novo Ministério e afirmam que nomes como o de Kátia Abreu e Armando Monteiro são escolhas pessoais de Dilma e não representam as bancadas dos partidos. Outros, mais discretos, mandam recados, como o presidente do PP, Ciro Nogueira ( PI), sobre Dilma estar escolhendo sem dialogar ou dando pastas importantes para partidos que apoiaram a oposição, caso de Armando Monteiro (PTB), que apoiou Aécio Neves.

— Prefiro comparar o estágio atual à construção de uma casa. A presidenta está agindo como uma arquiteta. Só ela conhece o projeto. Só poderemos avaliar quando a casa ficar pronta. Por enquanto, a casa está em obras — disse Nogueira.

LIÇÃO DE TANCREDO
Líderes da base alertam para o risco de crises futuras.

— Tancredo (Neves) deixou um ensinamento que deveria ser seguido pelos governantes que buscam a governabilidade: não nomeie ninguém que você não possa demitir. A presidente Dilma está entregando a economia para um ícone do sistema financeiro, a Agricultura, para o agronegócio, e a Indústria, para um líder do setor. Mais corporativista, impossível. Agora só falta nomear um dirigente do MST para o Desenvolvimento Agrário — alfinetou um líder aliado.

A indicação da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura provocou reações adversas entre políticos que representam o setor. Um deputado da base do governo elogiou a escolha, destacando que a senadora tem legitimidade.

— O nome dela já havia sido considerado no ano passado por Dilma, mas, agora, com a reeleição, ela ganhou mais força — disse esse deputado.

Outro parlamentar, também da bancada ruralista, afirmou que Kátia Abreu vai ocupar um espaço importante e que a aproximação dela com a presidente será benéfica para o setor:

— A oposição reclama porque o governo pode levar um setor importante a se aproximar da Dilma. Os ruralistas gostam do Neri (Geller, atual ministro), mas não dá para comparar. A Kátia tem muito mais força.

No PTB, deputados lembram que compraram briga com o presidente do partido, Benito Gama, que fechou apoio a Aécio, para defenderem Dilma. O líder do PTB, Jovair Arantes (GO), ressaltou que uma conversa prévia de Dilma ajudaria:

— O Monteiro é um grande quadro, mas a bancada federal não foi consultada. Não que a presidente precise consultar, mas a boa relação com a base recomenda a conversa.


PMDB formaliza indicação de Vital do Rêgo para TCU
Partido contraria interesse do governo de levar Ideli à vaga aberta no tribunal

SIMONE IGLESIAS E MARIA LIMA opais@ oglobo.com. br

-BRASÍLIA- O PMDB formalizará hoje a indicação do senador Vital do Rêgo (PB) para ministro do Tribunal de Contas da União ( TCU) na vaga aberta pela aposentadoria de José Jorge. Embora a indicação caiba ao Senado, havia um entendimento prévio entre o presidente da Casa, Renan Calheiros, e a presidente Dilma Rousseff de apoiar a ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos) para o tribunal. No entanto, a rejeição à petista entre os senadores levou à indicação de um nome do próprio PMDB. Renan já havia indicado este ano Bruno Dantas para a vaga de Valmir Campelo, que se aposentou em junho passado.

Apesar de derrubar uma aspiração do PT e do governo, a bancada do PMDB no Senado nega se tratar de retaliação por não ter participado de negociações que levaram à escolha da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. Os peemedebistas dizem apenas que é direito do PMDB do Senado, como maior partido na Casa, escolher quem ocupará a vaga no TCU. Durante este primeiro mandato da presidente, Vital aguardou por meses sua indicação para o Ministério da Integração Nacional, o que nunca ocorreu.

— Se Dilma indicou Kátia para retaliar o Eduardo Cunha, fez uma enorme bobagem, porque vai retaliar a bancada, a quem cabe a indicação. Indicar o Vital para o TCU não é compensação. O que o TCU tem a ver com Ministério? Esse já é direito do PMDB. Estamos todos acertadinhos entre a gente. Não vamos brigar por ministério. Qualquer coisa podemos partir para uma atuação independente — afirmou um dirigente peemedebista.

VOTAÇÃO SECRETA DEFINE NOME
Ideli vinha visitando os gabinetes dos senadores, em campanha, mas há muita resistência a sua indicação pela relação ruim que se estabeleceu entre ela e o Congresso no período em que foi ministra das Relações Institucionais.

A indicação de Vital enfraquece as chances da petista, porque a bancada do PMDB é a maior do Senado, e são necessárias 28 assinaturas para subscrever a indicação. Além disso, em uma eventual disputa entre Ideli e Vital, a oposição tende a apoiar o peemedebista como forma de enfraquecer o governo.

Após a validação do requerimento, o pretendente a ministro do TCU deve ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça ( CCJ) e, depois, ser aprovado no plenário do Senado. O nome é ainda submetido ao plenário da Câmara. As votações em todas essas instâncias são secretas.

O ESTADO DE S. PAULO - SP 
ECONOMIA & NEGÓCIOS 25/11/2014
 
*Telefonia do País está entre as mais caras
Dados da UIT mostram, porém, expansão da banda larga móvel no mercado brasileiro
 
Jamil Chade - CORRESPONDENTE/GENEBRA
A telefonia e o acesso à internet no Brasil ainda estão entre os mais caros do mundo e os custos freiam a capacidade de garantir que os serviços cheguem a toda população. A desigualdade social se reflete também na questão da inclusão digital. O alerta foi feito ontem pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), com sede em Genebra.

No Brasil, o custo da internet para a população mais carente representa 20 vezes o peso que o mesmo serviço representa para os mais ricos. Quarenta e quatro por cento dos brasileiros que têm computador em casa não conseguem pagar uma assinatura de internet, segundo a entidade.

O sindicato que reúne as operadoras de telefonia brasileiras questiona os dados e afirma que o estudo não reflete a realidade do mercado.

De acordo com a UIT, apesar de os preços ainda serem relativamente altos, o Brasil subiu no índice das economias mais preparadas para usar as tecnologias da comunicação. O País saltou da 67.ª para a 65.ª posição entre os rankings de 2012 e 2013. O índice reúne os dados de acesso a telefonia (fixa ou celular) e internet (banda larga fixa ou móvel). Apesar de ter melhorado no ranking, o Brasil ainda está atrás de nações como Azerbaijão, Romênia e Argentina. O ranking é liderado pela Dinamarca, seguido pela Coreia do Sul e por praticamente todos os países ricos. A Europa continua sendo o continente onde a tecnologia da informação é mais avançada.

Telefone. Segundo o estudo, o custo de uma ligação pelo telefone celular no Brasil é superior ao valor de todos os países europeus e consome uma proporção maior da renda do que em Cuba, no Paquistão, na Argélia ou na Guiné Equatorial.

De 166 países avaliados, apenas 47 têm um custo de ligação superior ao brasileiro – entre eles, Etiópia, Albânia, Ruanda e Madagascar. Os locais onde a ligação tem o menor custo são Macau, Hong Kong e Dinamarca. O pacote que serve de comparação considera a assinatura mensal de um telefone celular, com 30 ligações por mês mais 100 mensagens de texto. O valor médio do serviço no Brasil seria de US$ 48,32 por mês ao fim de 2013. Em comparação à renda média do País, isso representa 4,96%.

Em Macau, o mesmo serviço custa menos de US$ 6 e representameros0,11% da renda.Em pelo menos 36 países o custo de um pacote parecido sairia por menos de 1% da renda mensal de um trabalhador.

O Brasil ainda está em uma situação incômoda no que se refere aos custos da telefonia fixa. Dos 166 países avaliados, o Brasil aparece apenas na 110.ª posição, com um custo de US$ 24 por uma assinatura mensal, mais 30 minutos de ligações locais. Isso representa 2,5% da renda média do trabalhador.

Na conta geral, o Brasil aparece na 90.ª posição entre os 166 países avaliados no que se refere ao custo da telefonia. Hoje, são 22 telefones fixos para cada 100 pessoas. O número de celulares é de 135 para cada cem habitantes.

Internet. No que se refere à internet, o Brasil registrou pela primeira vez, no fim de 2013, mais de 50% de sua população conectada à rede. Em 2012, a taxa era de 48% e, no ano passado, chegou a 51%.

No que se refere à banda larga fixa, o serviço atende a 10% dos brasileiros. Já a internet rápida sem fio teve rápida expansão: atinge agora 55% da população, ante 33% em 2012.

O preço da banda larga no celular no Brasil também está entre os mais caros. Numa classificação de 166 países, o Brasil aparece apenas na 102.ª posição.

Entidade usa dados defasados, dizem empresas

• O SindiTelebrasil – que representa as operadoras do País – afirmou ontem que o estudo da Organização Internacional das Telecomunicações (UIT) novamente usou dados defasados ou descolados da realidade brasileira para chegar ao ranking. O sindicato das empresas já havia apresentado em outubro estudo da consultoria Teleco para tentar desconstruir os parâmetros da entidade internacional. Para as operadoras, o minuto do celular pré-pago no Brasil é o quarto mais barato do mundo, enquanto para a UIT o Brasil tem o 58º serviço mais caro do mundo, entre 166 países.

Segundo o SindiTelebrasil, a UIT considera em seu documento uma espécie de “preço-teto”, homologado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas que não é praticado no País. “O preço médio do minuto do celular no Brasil é de cerca de US$ 0,07, o que representa 13% do preço apontado pelo levantamento da UIT”. / EDUARDO RODRIGUES

O ESTADO DE S. PAULO - SP 
NOTAS E INFORMAÇÕES 25/11/2014
 
Os gargalos do País
 
Vem em boa hora a iniciativa do Tribunal de Contas da União (TCU) de reunir num estudo os desafios que a administração brasileira tem de enfrentar, quando os governantes eleitos precisam traduzir os discursos eleitorais em políticas públicas efetivas. O relatório Pacto pela Boa Governança: um retrato do País foi elaborado a partir de contribuições dos diversos tribunais de contas a respeito de cinco áreas - saúde, educação, previdência social, segurança pública e infraestrutura - e apresenta um diagnóstico atual dos principais gargalos do País.

O TCU reconhece que, desde a redemocratização, o País vem apresentando uma série de avanços nos campos institucional, econômico e social. O tribunal ressalta, no entanto, que ainda existem grandes desafios para o Brasil em seu caminho rumo a um desenvolvimento econômico e social mais pleno e que "esses desafios estão relacionados à atuação do Estado, por seu protagonismo em nosso processo de crescimento, seja no papel de regulador, de prestador de serviços ou de investidor".

Em relação à segurança pública, o TCU constata que os três principais problemas são a ausência de formalização da política nacional de segurança pública, a falta de integração entre os diversos órgãos de segurança pública e a vulnerabilidade da fronteira brasileira. Sobre este último ponto, relata-se a existência de "um descompasso na aplicação dos recursos conforme o planejado".

Na área de previdência social, o TCU não poupa palavras. Após ponderar sobre os resultados dos anos de 2011 a 2013, nos quais se observa um gradual aumento das despesas para fazer frente ao pagamento a mais de 27 milhões de beneficiários - passou-se de 0,86% do Produto Interno Bruto (PIB) a 1,05% do PIB, com um déficit anual na casa dos R$ 50 bilhões -, o tribunal faz ver a urgência de algumas medidas para a sustentabilidade do Regime Geral de Previdência Social. O TCU alerta ainda para a ausência de registro dos passivos atuariais dos regimes da previdência social no Balanço Geral da União e para o risco de descontinuidade da operação do INSS.

No amplo campo da saúde, o tribunal indica que a gestão dos recursos humanos e materiais merece atenção prioritária por parte dos governantes, já que as fiscalizações dos diversos tribunais de contas têm continuamente encontrado problemas em comum, como, por exemplo, deficiências no planejamento das ações de saúde. Segundo o TCU, outro importante campo é a melhora na regulação dos preços de medicamentos. Numa comparação envolvendo os 50 fármacos mais comercializados em 2010, em 43 deles o País possuía um preço registrado acima da média internacional - e, para 23 dos 50 medicamentos, o Brasil registrara o maior preço entre os países pesquisados.

Em relação à educação, o relatório aponta - além das persistentes desigualdades entre os diversos estratos da sociedade brasileira - três graves problemas: deficiências na rede pública de educação infantil, falta de definição de padrões mínimos de qualidade para o ensino médio e evasão na educação profissional. Chamando a atenção para o fraco desempenho dos alunos brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o TCU ressalta que "a melhoria da qualidade da educação brasileira requer, na prática, associar o acesso e a frequência das pessoas à escola com o efetivo aprendizado pelo aluno". Já é hora de trabalhar pela qualidade, ultrapassando um padrão meramente quantitativo.

O último capítulo, dedicado à infraestrutura, lista problemas não pequenos: planejamento deficiente e baixa qualidade dos projetos de infraestrutura, deficiência na governança das agências reguladoras, inadequação da infraestrutura de escoamento da safra agrícola brasileira, além dos atrasos na implantação dos empreendimentos de geração e de transmissão de energia elétrica.

Como se vê, a síntese dos desafios brasileiros apresentada pelo TCU não traz propriamente novidades, mas nem por isso é menos útil. Sempre é bom recordar - para que cada governante defina responsavelmente as suas prioridades - os principais problemas que atravancam o desenvolvimento nacional.
VALOR ECONÔMICO - SP 
EMPRESAS 25/11/2014
 
Companhias de telecom investem R$ 19 bi no país
 
Por Heloisa Magalhães | Do Rio

As redes e serviços para atender a demanda da Copa do Mundo, a instalação da infraestrutura de quarta geração da telefonia celular (4G) e a expansão do tráfego de dados foram responsáveis pelo investimento de R$ 19 bilhões das empresas de telecomunicações de janeiro a setembro, 7,8% superior aos nove primeiros meses de 2013, informou o presidente-executivo do SindiTelebrasil, Eduardo Levy. A entidade reúne fabricantes de equipamentos e prestadores de serviços de telecomunicações.

Ele não fez previsões sobre o total que será investido até dezembro, mas o Valor apurou que a taxa de crescimento deve continuar superior à do ano passado, quando os investimentos somaram R$ 29,3 bilhões. Historicamente, nos últimos três meses do ano a aplicação de recursos é mais acelerada, pois as empresas correm para fechar os montantes previstos nos contratos antes que o exercício termine.

Segundo o SindiTelebrasil, desde 2001, as teles já destinaram R$ 74,8 bilhões para fundos setoriais. Praticamente a totalidade desses recursos foi para o Tesouro Nacional. Apenas 6% foram destinados à pesquisa por meio do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).

Até o terceiro trimestre deste ano foram recolhidos R$ 400 milhões para o Funttel; R$ 1,2 bilhão para o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust); e R$ 3,3 bilhões para o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).

Toda vez que é habilitado um acesso de telefonia celular, a operadora recolhe R$ 26,86 para o Fistel. E todo ano, em março, as teles recolhem R$ 13,41 por linha ativada. O Brasil tem cerca de 280 milhões de acessos habilitados.


VALOR ECONÔMICO - SP 
EMPRESAS 25/11/2014
 
NII, dona da Nextel, faz acordo com credores
 
Por Ivone Santana | De São Paulo
A NII Holdings, dona da Nextel, informou ontem que a companhia e 12 de suas subsidiárias sediadas nos Estados Unidos e em Luxemburgo, que pediram recuperação judicial nos Estados Unidos em setembro, chegaram a um acordo com os principais credores, inclusive os dois maiores - The Capital Research Group e Aurelius Capital - e o comitê oficial que representa os credores. A negociação envolve US$ 4,35 bilhões de uma dívida total de US$ 6 bilhões.

O acordo é em relação às condições para um plano de reorganização financeira da companhia, sob o "Chapter 11", no Tribunal de Falências de Nova York. Esse é o resultado de uma negociação prévia que a NII iniciou há meses com os interessados para facilitar o processo no tribunal.

Os débitos das subsidiárias do Brasil, México e Argentina não entram nessa renegociação, disse o presidente da subsidiária brasileira, Gokul Hemmady, em entrevista ao Valor, em 15 de setembro. Da dívida total, o Brasil detém cerca de US$ 1 bilhão contraído junto ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e ao banco de desenvolvimento econômico e social da China. A dívida da unidade do México é de aproximadamente US$ 650 milhões. Nos dois casos não haverá renegociação e o cronograma de pagamentos de longo prazo segue inalterado.

O plano de reorganização da NII, sediada em Reston, Virgínia, prevê a conversão de US$ 4,35 bilhões em ações da empresa; o aumento da liquidez da companhia por meio do provimento de US$ 500 milhões em capital novo, o que será feito com a oferta de US$ 250 milhões em direitos de ações da companhia reorganizada; entre outros pontos.

Como os credores receberão parte do pagamento em ações da companhia, isso significa que a operadora Nextel poderá ser controlada por investidores.

A maior parte da dívida negociada está concentrada em dez credores, que representam cerca de 60% do débito. Empresas como Vanguard e Fidelity também contam com participações relevantes, depois do The Capital Research Group e Aurelius Capital. Ao todo, a NII tem cerca de cem credores de todos os portes, inclusive pessoas físicas que compraram títulos da companhia.

"Depois de meses de trabalho duro, estamos satisfeitos em anunciar um acordo com os termos-chave para o plano de reorganização, que representará um passo para a companhia sair da 'concordata' com uma posição financeira saudável para competir efetivamente no mercado sem fio", disse Steve Shindler, executivo-chefe da NII Holdings, por meio de comunicado. "Esse acordo é uma etapa importante no processo e nos permite seguir em frente com nosso plano de reorganização para a aprovação do tribunal."

A NII e seus maiores investidores também fizeram um acordo para dar suporte à reestruturação.
 
VALOR ECONÔMICO - SP 
EMPRESAS 25/11/2014
 
BT negocia com Telefónica a compra de volta da O2
 
Por Agências internacionais

A operadora britânica BT está em negociações para comprar, de volta, a unidade O2, da Telefónica, no Reino Unido, como parte de sua expansão na área de telefonia sem fio para complementar sua rede de banda larga, a maior em seu mercado local.

A BT desmembrou-se da O2 em 2001, quando a empresa tentava encontrar uma forma de financiar sua expansão e pagar os investimentos para desenvolver serviços sem fio de maior velocidade. A Telefónica havia comprado a O2, da BT, em 2005, por 17,7 bilhões de libras. Hoje, segundo analistas, a O2 vale menos de 10 bilhões de libras.

A BT também negocia a compra da EE, operadora sem fio pertencente à Orange e à Deutsche Telekom, segundo uma fonte a par do assunto. Embora a BT tenha informado estar negociando a compra de duas empresas de telefonia celular, apenas identificou uma, a O2, como alvo.

Qualquer um dos acordos daria à BT acesso à base de clientes e à rede de uma das três maiores operadoras sem fio do mercado, ativos que combinaria com sua própria rede de banda larga, a maior no Reino Unido. Oferecer serviços de telefonia móvel e de banda larga fortaleceria a BT, já que as empresas no mercado local empenham-se em vender pacotes de TV, internet e serviços telefônicos.

As discussões estão em um "estágio altamente preliminar e não é possível ter certeza de que qualquer transação vai ocorrer", informou a BT. Representantes da Telefónica, da Deutsche Telekom e da EE não quiseram comentar as informações. Não foi possível encontrar porta-voz da Orange.

Os acionistas da EE retomaram as negociações para vender a empresa, que pode valer até US$ 19 bilhões, segundo fontes a par do assunto haviam dito em outubro.

O diretor de operações da Telefónica, José María Álvarez-Pallete, disse em conferência em Barcelona na semana passada que a empresa vai manter apenas serviços de telefonia sem fio no Reino Unido por enquanto, até que surjam mais evidências de que os assinantes desejam serviços combinados. A empresa é a última das grandes operadoras a não ter a opção de pacotes de serviços.

O CEO da Orange, Stéphane Richard, disse na mesma conferência que a EE buscava uma aliança estratégica com alguma empresa de serviços a cabo ou de linhas fixas para expandir-se no Reino Unido. A empresa poderia buscar parcerias que envolvam compartilhar infraestrutura ou promover uma mudança na estrutura de capital da EE, segundo Richard.

A BT vai lançar seu próprio serviço de telefonia móvel ao consumidor em 2015, em aliança com a EE para oferecer pacotes de serviços de TV, internet e telefonia. A empresa, que tinha o monopólio telefônico no Reino Unido, também fornece acesso de banda larga à EE e à Vodafone, para que possam oferecer seus próprios pacotes.

A BT informou que manterá o plano de lançar serviços sem fio na rede da EE em 2015.

A Telefónica, por sua vez, procura ampliar suas operações na Alemanha e no Brasil, observam analistas. (Tradução de Sabino Ahumada)

CORREIO BRAZILIENSE - DF 
ECONOMIA 25/11/2014
 
* Brasil paga caro por telefonia
União Internacional de Telecomunicações mostra que tarifas no país estão entre as mais altas do mundo. Anatel e SindiTelebrasil contestam
 
A telefonia e o acesso à internet no Brasil ainda estão entre os mais caros do mundo. É o que aponta estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT) publicado ontem em Genebra, segundo o qual o custo de uma ligação pelo telefone celular no país é superior a todos as nações europeias e compromete parcela maior da renda dos consumidores do que em países como Cuba, Paquistão, Argélia ou Guiné Equatorial. Apenas 47 nações de 166 têm custos maiores com celular do que o Brasil. Na telefonia fixa, o país aparece na 110ª posição, somente 56 nações têm preços mais elevados; e na internet, o Brasil é o 46º mais caro entre os avaliados. Os números são contestados pelo sindicato das empresas de telecomunicações, o SindiTelebrasil, e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A pesquisa da UIT considerou um pacote de assinatura mensal de celular, com 30 ligações por mês mais 100 mensagens de texto, para fazer a comparação entre 166 países. O valor médio do serviço no Brasil chegaria a US$ 48,32, cerca de R$ 123 por mês, conforme o levantamento. Em comparação à renda média do brasileiro, isso representa um peso de 4,96% por mês. Em Macau, onde o serviço é o mais barato do mundo, custa US$ 6 e representa 0,11% da renda. Em pelo menos 36 países, o mesmo pacote compromete menos de 1% da renda mensa.

A Anatel informou, contudo, que o valor médio do minuto da telefonia móvel está em R$ 0,16 no segundo trimestre de 2014, e vem caindo desde 2012, quando era de R$ 0,19. “A análise de preços é feita considerando-se a quantidade de minutos tarifados e a receita total gerada por esse tráfego. Cabe esclarecer que o conceito de minutos tarifados inclui não apenas aqueles cobrados diretamente do assinante, mas também os minutos com preço zero”, afirmou a Anatel, em nota.

Para o SindiTelebrasil, o preço real do minuto do celular no Brasil é oito vezes mais barato que o apontado pela UIT. O sindicato argumenta que a metodologia da UIT não considera a realidade brasileira, que tem uma infinidade de planos e promoções. O Sinditelebrasil pediu um estudo para a Teleco Consultoria, que calculou em US$ 0,07 o minuto, portanto, 13% do preço apontado pela UIT.

Incômodo
Independentemente das contestações, o Brasil está em situação incômoda em todos os rankings apurados pela UIT. Dos 166 países avaliados, o Brasil aparece apenas na 110ª posição, com um custo de US$ 24 (R$ 61) por uma assinatura mensal de telefonia fixa, mais 30 minutos de ligações locais. Isso representa 2,50% da renda média de um trabalhador. No Irã, a taxa sai por apenas US$ 0,12 por mês, contra US$ 0,24, em Cuba. Nesses países, a telefonia fixa compromete 0,03% e 0,05% da renda média.

No que se refere à internet, o país aumentou o número de computadores conectados de 45% para 48% dos lares. Mas, uma vez mais, o custo é alto. O gasto com banda larga no Brasil representa 1,42% da renda mensal média, o que coloca o país na 46º posição numa classificação em que o serviço é mais caro. O preço da banda larga no celular, aparece na 102ª posição, comcomprometimento de 4,14% da renda mensal.

Peso de ouro
Telefonia e internet do Brasil estão entre as mais caras do mundo, diz UIT

Serviços móveis
» Custo de uma ligação pelo telefone celular no Brasil é superior ao de todos os países europeus e consome parcela maior da renda que em países como Cuba, Paquistão, Argélia ou Guiné Equatorial
» De 166 países avaliados, apenas 47 deles têm custo maior com celular do que o Brasil, entre eles Etiópia, Albânia, Ruanda e Madagascar
» O pacote que serve de comparação é a assinatura mensal de um celular, com 30 ligações por mês, mais 100 mensagens de texto
» O valor médio do serviço no Brasil chegaria a
US$ 48,32 por mês ao fim de 2013, cerca de R$ 123, comprometendo 4,96% da renda mensal média
» Em Macau, o mesmo serviço custa menos de US$ 6. Em pelo menos 36 países, o custo de um pacote parecido compromete menos de 1% da renda mensal de um trabalhador
» O custo da banda larga móvel coloca o Brasil em 102º lugar entre 166 países, do mais barato ao mais caro
Serviços fixos
» Dos 166 países avaliados, o Brasil aparece na 110ª posição do mais barato ao mais caro na telefonia fixa
» Custo da telefonia fixa do país é calculado em US$ 24 (R$ 61) por assinatura mensal, mais 30 minutos de ligações locais
» O custo da banda larga fixa no Brasil coloca o país na 46º posição entre os mais caros de 166 países

Fonte: União Internacional de Telecomunicações
 
CARTA CAPITAL - SP 
ESPECIAL 25/11/2014
 
*A essencialidade do acesso
Os links fixos ainda atendem a poucas residências, mas a internet móvel cresce
 
Até agosto deste ano, o Brasil registrou um total de 23,46 milhões de acessos de banda larga fixa, segundo dados da Anatel. Outro estudo, realizado pelo Ministério das Comunicações com dados fechados em maio, dimensiona a base de acessos de banda larga móvel em 123,6 milhões. Conforme estimativas mais recentes da Associação Brasileira de Telecomunicações, o número de acessos móveis já se aproxima dos 150 milhões, principalmente com os planos de dados em pacotes pré-pagos.

O ranking das operadoras de banda larga mantém a correlação do ano passado, quando o macrossetor Web World passou a figurar neste anuário. Os produtos Vírtua, da Net, e Velox, da Oi, mantêm a liderança, com uma pontuação relativamente estável. Nas indicações para a Vivo predomina a percepção da marca como uma provedora de acesso móvel, apesar da popularidade do serviço Speedy, em ADSL. Se a fusão já estivesse concluída no momento da votação, a Vivo e GVT, juntas, saltariam do terceiro e quarto para o segundo lugar.

CARTA CAPITAL - SP 
ESPECIAL 25/11/2014
 
*A insaciável sede de dados
A combinação de internet e mobilidade define o novo jogo em telecomunicações
 
"Durante os jogos da Copa do Mundo, vários torcedores mandavam mensagens onde se lia, simplesmente, 'genial'. Junto, enviavam um arquivo com o vídeo da jogada", lembra Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica Vivo, líder neste ranking pelo segundo ano consecutivo. "Essa é uma nova forma de comunicação, com imagens, distribuição por redes sociais e outras aplicações que estão sendo inventadas", observa. "Voz e SMS ainda são muito relevantes. Mas o cliente tem um limite de tempo para falar. Com dados, quanto mais tem, mais usa", constata Rodrigo Vidigal, diretor-executivo de marketing da Claro, segunda colocada no ranking, seguida da TIM.

Segundo dados da Associação Brasileira de Telecomunicações, o ano de 2013 fechou com 44 milhões de telefones fixos, 271,1 milhões de celulares e 85,6 milhões de pessoas com ao menos um tipo de acesso à internet. A consultoria IDC estima um crescimento anual de receita de 9,7% nos serviços de dados fixos, 11,4% em voz móvel, 21% para dados móveis e 13% em data center, a infraestrutura alavancada pela internet, e aplicativos móveis. "Para a telefonia fixa não vemos um futuro promissor", diz João Paulo Bruder, analista de telecomunicações da empresa.

Entre os principais investimentos da Telefônica Vivo em 2013 destacam-se 6 milhões de reais destinados à ampliação da sua infraestrutura de telecomunicações. No terceiro trimestre de 2014, pagou 1,93 bilhão pelo lote 3 da frequência de 700 MHz para 4G e adquiriu a GVT, uma transação de 22 bilhões com a francesa Vivendi. Criada no período das privatizações como "empresa espelho" para competir coma concessionária de telefonia fixa Brasil Telecom, a nova integrante do grupo começou com uma rede de nova geração, o que lhe deu pioneirismo em serviços como VoIP (voz sobre protocolo de internei) para pequenas empresas. "A GVT nos dá condições de equilibrar o jogo fora de São Paulo", destaca o presidente da Telefônica Vivo.

A ex-controlada da Vivendi só tinha acessos fixos. O declínio da telefonia fixa não implica, entretanto, redução dos investimentos na rede fixa, utilizada como uma grande infraestrutura para os acessos móveis. Do mesmo modo como a banda larga residencial se esgota com a entrada de tablets e smartphones em concorrência no acesso à internet, os serviços 3G e 4G exigem muito da malha de fibras e equipamentos nas centrais. "A capilaridade da rede fixa é importante. Por isso, a operadora móvel britânica Vodafone adquiriu a operadora de cabos Ono na Espanha", diz Valente.

O serviço 3G da Vivo chega a 3.285 municípios. "Em 2013, promovemos mais a oferta com uma campanha bem-humorada, do casal do Wi-Fi", diz. O acesso 4G está disponível em 100 localidades, na frequência de 2,5 GHz, leiloada em junho de 2012. Enquanto os 2,5 GHz são excelentes para sinal de banda larga em locais de alta densidade, o canal de 700 MHz atinge distâncias maiores e proporciona, por exemplo, o atendimento a áreas rurais, com banda suficiente para aplicações como vídeo e telefonia IP. Em contrapartida, a faixa é ocupada pelas transmissoras de televisão analógicas. "Há meses criamos um grupo especializado. Contratamos a maior consultoria brasileira de radioespectro, estudamos os cases internacionais e estamos seguros quanto à nossa capacidade de facilitar a migração dos radiodifusores."

A cobertura dos serviços de banda larga, segundo Valente, é imprescindível, mas não suficiente para manter a liderança e a rentabilidade. "A oferta de uma empresa de telecomunicações digitai inclui soluções para os segmentos de saúde, educação, segurança e outros produtos para consumidores e empresas. A percepção de qualidade pelo público vincula cobertura e inovação. A experiência diferente com o serviço de IPTV, por exemplo, mostra que a empresa está olhando para a frente."
"Nossa estratégia é proporcionar a melhor experiência de internet móvel no Brasil", resume Rodrigo Vidigal, da Claro. Ele menciona um estudo da OpenSignal, que mediu uma velocidade média de download em 27,8 Mbps e a posicionou como o 4G mais rápido entre 40 operadoras de 16 países. Na mesma comparação, todavia, as operadoras brasileiras perdem em cobertura, até porque começaram a instalar suas redes mais recentemente. Os serviços 4G da Claro estão disponíveis em 92 cidades. Vidigal destaca também a ampliação da cobertura 3G e 2G, que chega a 3,6 mil municípios. "Isso é fruto de 6 bilhões de reais investidos, nos últimos dois anos, na qualidade da internet móvel", justifica.

No ano passado, a Claro começou a oferecer acesso gratuito ao Facebook e depois estendeu essa facilidade ao Twitter e aumentou a oferta de smartphones. "O Facebook é um atrativo inicial para entrar na internet e ativar o plano de dados. É uma estratégia cara. Abrimos mão de receita. Mas é importante devido ao Brasil se encontrarem um estágio inicial de adoção."

A Claro busca incluir planos de dados em todos os produtos, afirma Vidigal. "Somos os únicos a oferecer 4G nos planos pré-pagos. E o cliente não paga nenhum valor extra pela velocidade de acesso. A tarifação é a mesma do 3G, pelo volume de dados." Evidentemente, a velocidade permite acesso a vídeos e a outras aplicações vorazes por largura de banda, como postagem de imagens, e a quantidade de dados consumidos multiplica-se.

Para o primeiro lote do leilão dos 700 MHz, a Claro fez uma oferta 1,95 bilhão de reais, com ágio de 1% em relação ao mínimo exigido pelo governo. "Esse lote é a faixa com menor problema de interferência com a tevê analógica."

No mercado corporativo, a Claro chega a muitas grandes companhias por meio de contratos da Embratel, operadora do Grupo América Móvil. "A telefonia e a internet móveis entram em uma oferta mais ampla, que inclui fibra, satélite e outros serviços empresariais."

Há uma convergência de ofertas tanto no mercado corporativo, com a Embratel, quanto nos pacotes quadriplay (tevê, telefone e banda larga fixos e móveis) oferecidos aos clientes da Net. Além de conveniência para o consumidor, ponto de atendimento e conta únicas, esses pacotes estimulam a migração de voz e dados móveis para planos pós-pagos.
Apesar dessas sinergias comerciais, não se cogita a unificação da identidade das três operadoras, diz Vidigal. "São três marcas muito fortes e bem estabelecidas no mercado. Em uma consolidação apressada desses nomes valiosos, o ganhador seria o concorrente."

A receita com serviços de dados da TIM chegou a 5,4 bilhões de reais em 2013, crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior. Grande parte dessa expansão se deve à ênfase na oferta de smartphones, responsáveis por 80% das vendas de aparelho e por 55% da base.

Assim como a Vivo, a TIM adquiriu um dos lotes da frequência de 700 MHz para 4G, pelo lance mínimo exigido pelo governo.
CARTA CAPITAL - SP 
ESPECIAL 25/11/2014
 
*Essencial e estável
Serviço perde peso na receita do setor, mas quantidade de acessos fixos se mantém
 
O velho telefone com fio ainda é o segundo maior item de geração de receita para o setor de telecomunicações. Mas o faturamento cai ano a ano, como ocorreu em 2013, quando houve um recuo de 5%, conforme dados da Telebrasil. Entre os 227,8 bilhões de reais de receita bruta do setor, a telefonia fixa respondeu por 45,8 bilhões.

Segundo dados da consultoria Teleco e da Anatel, 2013 fechou com 44,8 milhões de terminais fixos, pouco acima dos 44,3 milhões de 2012.0 porcentual de linhas ativas por habitantes é estável desde 2001 e passou de 21,2% naquele ano para 22,2% no ano passado.

A Telefônica Vivo lidera o ranking pelo quinto ano consecutivo e agora obteve pontuação recorde. Com um ganho de 3,3 pontos porcentuais no total de indicações, a Net passou de terceira à segunda colocação. A Claro e a TIM, que entraram no mercado de telefonia fixa mais recentemente, ficaram com a quinta e a sexta colocações, respectivamente.
CARTA CAPITAL - SP 
ESPECIAL 25/11/2014
 
*Sem mais o que falar
Continua a expansão da base e aumenta o consumo de dados
 
Em agosto deste ano, a Anatel contabilizou 274 milhões de acessos móveis, cerca de 3 milhões acima do registrado no fim de 2013. Durante o ano passado, a telefonia móvel representou 96,4 bilhões de reais, nos 227,8 bilhões de receita bruta total do setor. Isso significou um crescimento de 7%, mesmo com a queda nas despesas individuais com serviços de voz.

Apesar do aumento da base de terminais, a receita média por usuário (Arpu, principal indicador de rentabilidade em operações de telefonia) ficou em 14,4 reais mensais, um recuo de 2% em relação a 2012, conforme dados da Telebrasil.
Em contrapartida, a Arpu de serviços de dados aumentou 20% e fechou em 5,10 reais.

Este ranking permanece com os mesmos líderes nos últimos quatro anos. A Telefônica Vivo, primeira colocada, teve recorde de pontuação, a TIM ficou exatamente com o mesmo porcentual do ano passado e a Claro teve uma variação de apenas 1 ponto porcentual.
BRASIL ECONÔMICO 
PONTO FINAL 25/11/2014
 
Sobe e desce
 
Desce
Estudo da União Internacional de Telecomunicações mostra que o Brasil é um dos países que cobra mais caro para acesso à telefonia e à internet, o que é regulamentado e fiscalizado pela Anatel, presidida por João Batista de Rezende.
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