Os vários porquês e seus porquês

Entender os porquês dos vários porquês da língua portuguesa parece tarefa difícil, mas as diferenças ficarão mais claras com as explicações, desse concurseiro calejado de errar essas besteiras em prova, retiradas do Manual de Redação da Câmara dos Deputados.


Por que (separado e sem acento) é usado quando o sentido for "por que razão", "por qual razão", "por que motivo", "a razão por que/pela qual", "o motivo por que/pelo qual", estejam essas palavras expressas ou subentendidas. Uma boa dica é substituir o "por que" da oração por uma dessas expressões. Se fizer sentido, o "por que" é separado.

Exemplos:

Por que o dólar subiu?

Por que o projeto foi rejeitado?

Por que as obras ainda não começaram?

Não se sabe por que o império maia entrou em declínio.

O funcionário explicou por que havia faltado.

Esse é o motivo por que a reunião foi adiada.

Por quê (separado e com acento) é usado nas mesmas situações acima, mas somente quando incidir no fim da frase, ou antes de ponto-e-vírgula ou dois-pontos (ou seja, quando se segue pausa longa):

Exemplos:

O projeto foi rejeitado por quê?

Há pessoas que vivem insatisfeitas sem saber por quê. Eis por quê: por não saberem o que querem.

Na terapia "gestalt", não se pergunta "por quê"; antes, indaga-se "para quê".

Porque (junto e sem acento) é usado para introduzir explicação, causa, motivo, podendo ser substituído por conjunções causais como pois, porquanto, visto que.

Exemplos:

Traga agasalho, porque vai fazer frio.

A reunião foi adiada porque faltou energia.

Porque ainda é cedo, proponho esperarmos um pouco mais.

Porquê (junto e com acento) é sinônimo de motivo, causa, indagação. Por ser substantivo, admite artigo e pode ir para o plural:

Os considerandos são os porquês de um decreto.

O relator explicou o porquê de cada emenda.

Qual é o porquê desta vez?

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