TIC Domicílios 2007 - Segurança na Rede, Uso do E-mail e Spam

DESTAQUES 2007
Os módulos sobre Segurança na Rede, Uso do E-mail e Spam da TIC Domicílios 2007
apontaram que:
• Cerca de 29% dos usuários de internet declararam ter encontrado problemas
de segurança. O número apresenta uma tendência de crescimento quando
comparado às pesquisas dos anos anteriores: em 2005 esse percentual foi de
23% e em 2006 passou para 26%.
• A proporção de pessoas que declarou ter tido algum problema de segurança no
uso da internet aumenta segundo seu grau de instrução e a faixa de renda.
• A maioria dos problemas de segurança identificados em 2007 se refere aos
ataques de vírus e códigos maliciosos ao computador, chegando a 27% das
declarações de usuários de internet (ou 94% de todos os problemas citados).
• Entre aqueles que utilizaram um antivírus, a proporção dos que têm realizado
atualizações diárias vêm aumentado, passando de 21% em 2005 para 38% em
2007. Observa-se também que a opção de “não atualização” decresce com os
anos: ela foi de 31% dos usuários de antivírus em 2005 para 8% em 2007.
• Em 2007, 83% daqueles que usaram a internet possuíam conta de e-mail,
sendo que este percentual salta para 94% dentre as pessoas que utilizam a
internet diariamente.

São considerados internautas ou usuários de internet nesta pesquisa os indivíduos que acessaram a rede nos 3 meses que antecederam as entrevistas.

• Quase a metade das pessoas que possuem conta de e-mail declarou receber
spams (48%), número que tem se mantido relativamente constante nos últimos
3 anos. Dentre eles, cerca de 21% declarou ter enfrentado problemas com
perda de e-mail ou arquivo importante (deletado ou filtrado sem querer).

INTRODUÇÃO
A pesquisa TIC Domicílios 2007, lançada em 14 de março de 2008 (ver
HTTP://www.cetic.br), indicou uma intensificação no uso e na posse das tecnologias da
informação e comunicação no Brasil: no ano passado 17% dos domicílios brasileiros
possuíam computador com acesso à internet e 34% da população era usuária de
internet, ou seja, havia acessado a rede nos últimos três meses.
O crescimento foi mais expressivo entre indivíduos cuja renda familiar se concentra
entre 2 a 5 salários mínimos, mas o perfil do usuário de internet no Brasil continua
determinado por fatores sócio-econômicos: quanto mais jovem, maior sua renda
familiar e sua escolaridade, maior o acesso.
Os dados dos módulos de Segurança na Rede, Uso do E-mail e Spam da TIC Domicílios
2007 mostram que os indivíduos mais letrados e cuja renda familiar é maior são
também os que mais declaram ter enfrentando problemas de segurança no uso da
internet. Entretanto os jovens, os maiores usuários da rede, parecem se incomodar ou
perceber menos estes incidentes do que indivíduos com mais idade: entre os
internautas com 16 a 34 anos o percentual dos que relataram problemas de segurança
foi de 31%, contra 39% dos internautas com 35 a 44 anos, 37% dos usuários com 45 a
59 anos, e 34% daqueles com mais de 60 anos. Veja a seguir os detalhes da pesquisa.

SEGURANÇA NA REDE
O módulo sobre Segurança na Rede da TIC Domicílios 2007 aborda os problemas de
segurança, como ataque de vírus, fraudes financeiras e uso indevido de informações
pessoais disponibilizadas na rede por usuários de internet no período de três meses
que antecederam a pesquisa.
A proporção dos usuários de internet que declaram já ter identificado algum tipo de
problema de segurança na rede foi de 29% em 2007, o que demonstra um
crescimento de três pontos percentuais anuais em relação às duas pesquisas
anteriores realizadas pelo CETIC.br: em 2005 esse percentual foi de 23% e em 2006
passou para 26%. Note-se que essa tendência de crescimento se manifesta mesmo se
considerarmos que as novas gerações de malware3 são cada vez mais difíceis de serem
detectadas quando infectam um computador.

Malicious software (software malicioso) = Termo genérico que se refere a todos os tipos de
programa que executam ações maliciosas em um computador. Exemplos de códigos maliciosos são os vírus, worms, bots, cavalos de tróia, rootkits, etc.

Veja a pesquisa completa em http://www.cetic.br 4

A proporção de pessoas que informou ter encontrado algum problema de segurança
no uso da internet aumenta segundo seu grau de instrução e a faixa de renda
familiar. Vemos assim que em 2007, 43% dos respondentes que têm nível superior
declararam ter sofrido algum problema de segurança, enquanto somente 12% dos
analfabetos e pessoas que cursaram até a educação infantil perceberam este tipo de
situação. Com relação à renda, temos que 43% das famílias com renda superior a 5
salários mínimos declararam ter encontrado problemas de segurança na internet,
enquanto somente 14% daqueles com renda familiar até 1 salário mínimo o fez.
Outro importante aspecto relacionado à incidência dos problemas de segurança está
relacionado à freqüência de uso da internet. Nota-se que 43% dos que usaram a
internet diariamente declararam ter enfrentado problemas de segurança nos últimos
três meses, enquanto esses problemas incomodaram somente 14% dos que utilizaram
a internet pelo menos uma vez por semana. Isto sugere que a percepção dos
problemas de segurança está relacionada ao uso freqüente da rede, que por sua vez
também está associado a fatores sócio-econômicos: são justamente os indivíduos de
maior renda e escolaridade que usam a rede com maior freqüência.

A maioria dos problemas de segurança enfrentados em 2007 se refere a ataques de
vírus e códigos maliciosos ao computador, chegando a 27% das declarações de
usuários de internet (ou 94% de todos os problemas citados). Apesar da referência
explícita aos vírus dentre todos os códigos maliciosos é importante lembrar que nesta
categoria encontram-se também os Cavalos de Tróia4, Worms5, Bots6, Keyloggers7 e
Spywares8, entre outros tipos de códigos maliciosos que são comumente confundidos
pelo usuário de internet com o que se acredita ser simplesmente um vírus. Em
segundo lugar está a categoria “problemas relacionados ao uso indevido de
informações pessoais enviadas ou disponibilizadas na internet”, com 2% das
declarações, seguida pelas fraudes bancárias, de cartão de crédito ou outro tipo de
fraude financeira (1%). É importante lembrar que pode haver dificuldade no
entendimento de que o uso indevido de informações pessoais e as fraudes financeiras
ocorreram realmente devido ao uso da internet, o que não acontece necessariamente
com o ataque de vírus e outros códigos maliciosos.
Com relação às pesquisas anteriores, observa-se que as fraudes financeiras, o uso
indevido de informações pessoais e a categoria “outro problema de segurança”
apresentam estabilidade ao longo dos três últimos anos. Já os ataques de vírus
aumentaram, passando de 22% das declarações em 2005 para 24% em 2006 e 27% em
2007. Isto sugere que o aumento dos problemas de segurança encontrados esteja
ligado ao aumento dos ataques envolvendo códigos maliciosos em geral.
4 Programa, normalmente recebido como um "presente" (por exemplo, cartão virtual, álbum de fotos, protetor de
tela, jogo, etc), que além de executar funções para as quais foi aparentemente projetado, também executa outras
funções normalmente maliciosas e sem o conhecimento do usuário.
5 Programa capaz de se propagar automaticamente através de redes, enviando cópias de si mesmo de computador
para computador. Diferente do vírus, o worm não embute cópias de si mesmo em outros programas ou arquivos e
não necessita ser explicitamente executado para se propagar. Sua propagação se dá através da exploração de
vulnerabilidades existentes ou falhas na configuração de softwares instalados em computadores.
6 Programa que, além de incluir funcionalidades de worms, sendo capaz de se propagar automaticamente através
da exploração de vulnerabilidades existentes ou falhas na configuração de softwares instalados em um computador,
dispõe de mecanismos de comunicação com o invasor, permitindo que o programa seja controlado remotamente. O
invasor, ao se comunicar com o bot, pode orientá-lo a desferir ataques contra outros computadores, furtar dados,
enviar spam, etc.
7 Programa capaz de capturar e armazenar as teclas digitadas pelo usuário no teclado de um computador.
Normalmente, a ativação do keylogger é condicionada a uma ação prévia do usuário, como por exemplo, após o
acesso a um site de comércio eletrônico ou Internet Banking, para a captura de senhas bancárias ou números de
cartões de crédito.
8 Termo utilizado para se referir a uma grande categoria de software que tem o objetivo de monitorar atividades de
um sistema e enviar as informações coletadas para terceiros. Podem ser utilizados de forma legítima, mas, na
maioria das vezes, são utilizados de forma dissimulada, não autorizada e maliciosa.

Local onde identificou o problema de segurança
Em 2007, 66% das pessoas que tiveram problemas de segurança usando a internet
enfrentaram o problema em casa. A proporção de pessoas que declararam ter
problemas no domicílio também apresenta uma relação direta com fatores sócioeconômicos:
enquanto 78% dos que cursaram o nível superior tiveram problemas nos
domicílios pouco mais da metade dos iletrados e pessoas que cursaram a educação
infantil (53%) declararam o mesmo. A diferença se acentua quando analisamos a renda
familiar: 76% das pessoas com renda familiar de 5 salários mínimos ou mais disseram
ter percebido o problema de segurança dentro de casa, enquanto somente 6% das
pessoas com renda familiar até 1 salário mínimo o fizeram.

Medidas de segurança adotadas
A medida de segurança “utilização do antivírus” foi mencionada por 75% dos usuários
de internet que têm computador em casa, um número ainda pequeno se considerado
que esta é uma medida de segurança básica. Porém, este percentual é maior que o
registrado em 2006, quando somente 70% declarou utilizar esta medida. A proporção
dos que mencionaram o uso de firewall diminuiu de 2005 a 2007. É possível que essa
queda seja resultado do uso de sistemas operacionais que já trazem um firewall
ativado ou mesmo de alguns softwares antivírus que já vem com o firewall incluso, o
que faz com que a percepção do uso seja ofuscada.

Entre aqueles que utilizaram um antivírus nos últimos 3 meses, a proporção dos que
têm realizado atualizações diárias vêm aumentado de 2005 a 2007. Em 2005, a
freqüência de atualização mais comum era a semanal, com 27% dos usuários de
antivírus. Já em 2007, a freqüência de atualização mais praticada é a diária com 38%.
Observa-se também que a opção de não atualização decresce com os anos: ela foi de
31% dos usuários de antivírus em 2005 para 8% em 2007.
Uso do E-mail
Em 2007, 83% daqueles que usaram internet nos 3 meses anteriores à pesquisa
possuíam conta de e-mail, ou seja, a grande maioria dos usuários. Este percentual era
de 73% em 2005. O crescimento indica que o e-mail tornou-se uma forma de
comunicação mais popular entre 2005 e 2007, visto ainda que houve uma considerável
expansão no uso da internet para atividades de comunicação, que passou de 78% em
2006 para 89% em 2007, sendo que “Enviar e receber e-mails” especificamente saltou
de 65% para 78%.
A posse de contas de e-mail está diretamente relacionada à freqüência de uso da
internet. Em 2007, observa-se que o percentual de pessoas que possui contas de e-mail
dentre as pessoas que utilizam a internet diariamente é de 94%, ou seja, quase a
totalidade dos usuários diários de internet possui contas de e-mail. Dentre as pessoas
que declararam usar a internet pelo menos uma vez por semana este percentual atinge
somente 77% dos entrevistados. A tendência de queda na posse do e-mail se acentua
ainda mais conforme diminui a freqüência de uso da internet. Somente 57% dos
usuários que declararam utilizar a rede pelo menos uma vez por mês possuem contas de
e-mail, e este número cai para 47% quando se trata de pessoas que navegaram na
internet menos que uma vez por mês. Outro fato importante é que a popularização do
e-mail ocorreu basicamente devido ao crescimento nas contas de e-mail gratuitas que
chegaram a atingir 76% dos usuários brasileiros de internet em 2007.


A posse da conta de e-mail também está relacionada ao grau de instrução do usuário
de internet. Quanto maior o grau de instrução, maior a proporção de indivíduos que
possuem uma conta de correio eletrônico. O e-mail gratuito é utilizado por 60% dos
analfabetos e pessoas que cursaram a educação infantil. A utilização sobe para 72%
quando falamos de quem tem ensino fundamental, para 76% considerando pessoas
que cursaram o nível médio e chega a 84% quando se trata de pessoas com nível
superior. O uso do e-mail pago também cresce conforme o nível educacional, saindo
de 6% no grupo de entrevistados com educação infantil para 16% no grupo de pessoas
com nível superior. O e-mail do trabalho é utilizado somente por pessoas que
cursaram o nível médio (5%) e nível superior (13%). Desta forma quanto maior o grau
de instrução, maior a posse dos variados tipos de e-mail (as contas pagas, gratuitas e
do trabalho).

Spam
Quase a metade das pessoas que possuem conta de e-mail declarou receber spams
(48%), número que tem se mantido relativamente constante nos últimos 3 anos. Para
uma melhor interpretação deste número devemos considerar que existe uma ação
muito significativa dos provedores de e-mail pagos e gratuitos na filtragem de
mensagens não solicitadas. Os e-mails que chegam ao usuário final passaram por
aprimorados filtros que vão construindo critérios para sua ação, baseados em
determinados padrões identificados nos spams, mesmo considerando que os e-mails
indesejados estejam sempre mudando para poder circular livremente na rede. Deste
modo, grande parte dos spams colocados na rede já é filtrada pelos próprios
provedores antes mesmo de chegar às caixas de entrada (inbox) dos usuários 9.
O percentual de pessoas que declarou ter recebido spams cresce principalmente
conforme crescem renda e classe social. Na classe A, por exemplo, 74% das pessoas
informou receber e-mails não solicitados enquanto nas classes DE somente 35% o fez.
Dentre os que declararam receber spams, 48% são incomodados diariamente.
Considerando estes usuários (que recebem spam diariamente) temos que 72% recebe
entre 1 a 10 e-mails não solicitados por dia.
Na opinião dos indivíduos que informaram ter recebido spams em 2007, o maior
problema causado por estas mensagens indesejáveis foi o gasto desnecessário de
tempo (69%). Em segundo lugar está o transtorno pelo conteúdo impróprio ou
ofensivo (33%). Cerca de 21% declarou ter enfrentado problemas com perda de e-mail
ou arquivo importante (deletado ou filtrado sem querer), número que merece
destaque devido à gravidade do tipo de transtorno que isto pode causar ao usuário de
internet: muitas vezes estes arquivos ou e-mails se referem a compromissos
profissionais, têm valor para documentação de processos ou podem ser usados como
9 Para termos uma idéia, o relatório E-mail Metrics Report do Messaging Anti-Abuse Working Group realizado com a colaboração dos principais provedores de e-mail dos Estados Unidos e Europa, reporta que o percentual de mensagens abusivas filtradas antes mesmo de chegarem ao inbox dos usuários de e-mail chega a 80% do total de mensagens abusivas enviadas a rede. Fonte: Messaging Anti-Abuse Working Group (MAAWG) Email Metrics Program: The Network Operators’ Perspective Report #6 - Second Quarter 2007 (Issued October 2007).

declarações para fins jurídicos. Somente 10% apontou o custo (com programas de
proteção anti-spam, tempo de conexão e etc.) como um problema. Interessante notar
que apesar do incômodo à maioria dos usuários existe uma proporção de
entrevistados que recebe spam e que declararam gostar de recebê-los (20%).


A proporção de indivíduos que reportaram possuir filtro anti-spam na principal conta
de e-mail é de 23% (entre os que acessaram a internet nos últimos 3 meses e que
possuem contas de e-mail). É importante considerar que a grande maioria dos
internautas possui um e-mail gratuito, e que provedores de e-mails gratuitos já
disponibilizam filtros anti-spam, liberando o usuário da instalação de um software com
essa funcionalidade. Isto pode influenciar na percepção sobre o uso desta ferramenta.
A proporção da posse de anti-spam aumenta com as variáveis relacionadas à renda
familiar, como classe social e grau de instrução. Somente 7% dos usuários de internet
que possuem e-mail e se encontram na faixa de renda familiar de até 1 salário mínimo
possuem filtro anti-spam em sua conta principal de e-mail, contra 38% dos usuários na
faixa de renda de 5 salários mínimos ou mais.

Além do fato de alguns provedores de serviços bloquearem mensagens não-solicitadas
automaticamente, é importante ressaltar que o filtro anti-spam pode ser instalado
diretamente no computador do usuário final como uma medida adicional de
segurança. Esse processo pode auxiliar o usuário a perceber melhor a ação dos
spammers10, melhorando assim a sua noção sobre segurança na rede e evitando
transtornos como os citados anteriormente.

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