Usabilidade

A Cauda Longa para a Usabilidade
Por André Martins

Data de Publicação: 14 de Março de 2011

A usabilidade é bastante parecida com o frio: uma sensação que não pode, exatamente, ser categorizada, pois é uma definição que depende de cada pessoa. Vamos usar como exemplo 15 graus Celsius: para um esquimó representam o auge do verão e, para um árabe, uma nova era do gelo. Da mesma forma, um conjunto de cores agradáveis a uma pessoa não o são para outra e um conjunto de botões para operação podem fazer todo o sentido do mundo para um grupo de usuários e não para outro.

Mesmo assim, da mesma forma que podemos medir as temperaturas e definir, em termos gerais, que dias com -3 graus Celsius são normalmente considerados frios para todo mundo também conseguimos realizar medições e dizer se algo está com alto ou baixo grau de usabilidade. Além disso, podemos ainda estabelecer algumas verdades: correr nu em dias de -50 graus Celsius definitivamente vai te matar e telas com um metro de scroll são horríveis para qualquer usuário.

Conseguir, com alto grau de assertividade, definir regras genéricas que permitam entregar produtos (digo produtos, pois a usabilidade se destina a medir o grau de facilidade para se usar qualquer coisa, desde canetas até ônibus espaciais) com alto grau de usabilidade para qualquer usuário é, inclusive, um dos grandes desafios da usabilidade. Ou pelo menos, era.

Interpretado sob o ponto de vista da "Cauda Longa", este desafio já não faz muito sentido: a Cauda Longa é um fenômeno econômico recente, registrado por Chris Anderson em seu artigo e livro homônimos.

Basicamente, o resultado da Cauda Longa é a máxima personalização dos produtos e serviços, levando a uma adequação perfeita das necessidades dos usuários. Em ultima instância, seria como voltar a fabricar tudo sob medida para os consumidores (atendendo os desejos destes) mas com grande vantagem econômica para os produtores (maximização do lucro, economia com estoque e sobras de produção).

Hoje, graças a internet, as lojas podem oferecer dezenas de opções para um mesmo produto (vide a Amazon: ela oferta música nos formatos digital, CD, DVD, LP e K7) mas, apesar disso, ainda fazemos sistemas endereçados à grandes grupos de usuários, sem preocupação com pequenos grupos específicos.

Na era da economia de nichos os desenvolvedores precisam, mais uma vez, mudar seus paradigmas: ao invés de procurar respostas absolutas e padrões comportamentais bem definidos, precisamos parar de desenvolver nossos sistemas com todas as respostas em mente e entregar sistemas adaptados para os diversos nichos de usuários existentes.

Claro que estamos caminhando para sistemas mais amigáveis e com mais opções de personalização por parte dos usuários. Basta comparar qualquer sistema operacional moderno com algum de 15 anos atrás. Entretanto, as opções ainda são bastante limitadas e a preocupação com os nichos ainda não faz parte do dia-a-dia dos desenvolvedores. Nosso novo desafio encerra diversas questões: como identificar estes nichos? Como levantar as necessidades de cada um deles? Como entregar um mesmo sistema, coeso e fácil de usar, mas com centenas ou até mesmo milhares de opções de customização? Como fazer tudo isso dentro de um prazo e custos aceitáveis para as empresas?

As respostas (e muitas das perguntas sobre este tema) ainda estão sendo construídas. E é nossa missão, como desenvolvedores (ou carpinteiros, ou arquitetos) pensar em como ofertar soluções genericamente personalizáveis ou personalizadamente genéricas! E é uma das missões deste blog criar um espaço para a discussão e evolução da usabilidade!

Conto com a ajuda de todos vocês, leitores para que, a cada novo artigo, possamos nos aprofundar neste assunto.

Até a próxima.

Complementando o Excelente artigo do André coloco algumas questões de provas recentes:(ABIN 2010 CESPE)Segundo a norma ISO 9241, usabilidade é a capacidade que um sistema interativo oferece a seu usuário, em determinado contexto de operação, para a realização de tarefas de maneira eficaz, eficiente e agradável. Segundo a norma ISO/IEC 9126, usabilidade é a facilidade com que um usuário pode aprender a operar, preparar entradas para um sistema ou componente e interpretar as saídas desse sistema. Tendo como referência as informações acima, julgue os itens a seguir, relativos à engenharia de usabilidade.
145 As técnicas de avaliação de usabilidade experimentais ou empíricas contam com a participação direta dos usuários e compreendem, basicamente, os testes com usuários por meio do monitoramento de sessões de uso do produto, ou protótipo, em consideração. Em geral, os testes de usabilidade com a participação dos usuários são avaliações confiáveis.
146 As avaliações formativas ocorrem após o término do desenvolvimento do programa, enquanto as avaliações somativas ocorrem durante o desenvolvimento do software e
são realizadas para melhorar a qualidade das interfaces gráficas e sua interação. Protótipos são utilizados para que seja possível realizar essas avaliações e, dessa forma, detectar um problema com o menor custo possível.
147 A adequação ao uso significa adequar-se ao tipo de tarefas ou atividades que se pretende realizar com o produto de software, aos usuários que tipicamente utilizam o produto e ao ambiente de utilização do produto. A avaliação somativa pode ser
utilizada como critério de aceitação de um produto, ou seja, como parte dos requisitos não funcionais acordados com os usuários.
148 A avaliação heurística é realizada considerando-se um conjunto de regras ou diretrizes para identificar possíveis problemas na interação entre o usuário e o computador. Essa avaliação baseia-se no conhecimento e na experiência de avaliadores especialistas que, analisando as interfaces de determinado sistema, fazem o levantamento dos problemas e sugerem possíveis soluções.
149 As metas de desempenho estabelecidas na especificação de requisitos de usabilidade correspondem a níveis de desempenho que usuários devem atingir ao interagirem com o sistema. A especificação de requisitos de usabilidade poderá ser usada como uma indicação de quando o projeto está convergindo em direção a uma interface com sucesso.
150 A modelagem de conteúdo e navegação envolve aspectos estruturais e dinâmicos para realizar o desenho da arquitetura da interface em termos de espaços de interação. O aspecto dinâmico corresponde à criação de um modelo simplificado do
conteúdo da interface, e o aspecto estrutural, à definição da navegação associada ao modelo dinâmico.

(INMETRO 2009 CESPE) 50 Usabilidade e acessibilidade são etapas do projeto de sítio web que são pensadas só na fase executiva.


(INMETRO 2009 CESPE)Jakob Nielsen analisou centenas de sítios para suas experiências sobre acessibilidade e usabilidade. Segundo ele, os órgãos governamentais costumam ser os piores na categoria de inserção de conteúdos densos. Isso talvez ocorra porque
funcionários públicos estão acostumados a trabalhar com documentos densos e longos, escritos para um público interno e cheios de terminologia burocrática especializada.
Nielsen e Loranger, 2007, p. 81. Com referência ao tema do texto acima e considerando que os conteúdos de texto para sítios web normalmente são de
responsabilidade dos profissionais da área de jornalismo e de áreas técnicas, julgue os itens a seguir.
51 O texto para sítios web deve ser breve, escaneável e acessível. O termo escaneável, nesse caso, designa a capacidade de leitura que os usuários têm.
52 Em sítios web, a quantidade recomendável de texto, segundo Nielsen, é de aproximadamente 70% da que seria utilizada em mídia impressa.
53 Para informações destinadas a pessoas com baixo nível de escolaridade, a quantidade de texto recomendada é a de 60% da recomendada para mídia impressa.
54 No livro mencionado no texto, Nielsen não ensina como construir sítios, mas é possível atrelar a necessidade de grande quantidade de texto às recomendações de usabilidade utilizando textos ancorados, mostrando, inicialmente, um pequeno resumo na parte superior da página, que se expande de acordo com as necessidades e características dos usuários.
55 O texto alinhado à esquerda e formatado com a fonte Impact pode ser classificado como um texto acessível.

No que se refere à ferramenta Flash, Nielsen considera que ela introduziu vários problemas de usabilidade, e, entre eles, destaca o incentivo a animações gratuitas, descontextualizadas; ele afirma que a animação tem seu lugar na comunicação online, mas que esse espaço é limitado. Com relação a esse posicionamento crítico e à ferramenta Flash, julgue os itens seguintes.
56 Os famosos gifs animados, normalmente construídos apenas com uma estrutura mínima de quadros (frames), produzem um efeito de fadiga visual no usuário.
57 A série de animação, utilizada com a intenção de chamar atenção em um sítio, permite que conteúdos diferentes ganhem a mesma relevância e facilitam a vida do usuário.
58 Apesar das críticas de Nielsen, os produtores da ferramenta Flash continuam acrescentando recursos de animação a esse software. Na versão Flash CS4, foi acrescentada a ferramenta Bones, que permite trabalhar com cinemática
invertida.
59 O webdesigner que utiliza Flash em seu trabalho não consegue prever o tempo que um sítio levará para ser visto por um usuário, pois não existem recursos para esse tipo de simulação.
60 A animação comum é muito utilizada em sítios construídos com recurso Flash; trata-se do conhecido carregando, que é resultado da interação entre uma animação ou imagem e uma programação em ActionScript. Segundo Nielsen, esperar pelo aparecimento de informações em uma tela aborrece o usuário.

Jakob Nielsen é o fundador do movimento engenharia de usabilidade a baixo custo, que enfatiza métodos rápidos e eficientes para aprimorar a qualidade das interfaces com o
usuário. É, também, autor de diversos livros relativos ao assunto, como o campeão de vendas Projetando Websites e Usabilidade na Web, no qual, a partir de testes com usuários, descreve operações de navegação digital e sua eficiência, sugerindo procedimentos para o webdesigner. Na introdução desse livro, ele escreve que “a usabilidade funciona porque revela como o mundo funciona. Depois de descobrir como as pessoas interagem com seu projeto, você pode torná-lo melhor do que o do seu
concorrente”. Nielsen, Jakob e Hoa Loranger. Usabilidade na web: projetando websites
com qualidade. Rio de Janeiro: Editora Campus/Elsevier, 2007.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens a seguir.
115 Quando a navegação muda drasticamente de uma página para outra, o usuário é estimulado a explorar o conteúdo da nova página.
116 O tamanho recomendável do corpo da fonte tipográfica em um texto na Web, para o público em geral, é de 10 a 12 pontos.
117 A fonte tipográfica Times New Roman é a fonte com serifa de maior legibilidade na tela do computador.
118 Texto preto sobre fundo branco é mais legível que texto escuro sobre fundo branco.
119 Baixo contraste entre figura e fundo promove maior legibilidade no texto de tela.
120 Se houver espaço em branco na parte inferior da área visualizável da tela, mesmo com a barra de rolagem aparente, os usuários de Internet normalmente supõem que
a página é fixa e não avançam na rolagem da página.


(MCT 2008 CESPE) A simplicidade constitui certamente um princípio importante no design. Muitos designers, porém, colocam coisas demais no espaço de uma tela, tornando impraticável encontrar o que se deseja. Remover elementos do projeto de modo a conferir o que pode ser descartado, sem afetar a função geral do website, pode ser algo bastante útil. Preece, Rogers e Sharp. Design de interação: além da interação homem-computador. Bookman, 2005, p. 49 (com adaptações). Acerca das idéias do texto acima e dos princípios de usabilidade, julgue os itens de 57 a 60.
57 De acordo com o texto acima, retirar ícones e gráficos de um texto torna o sítio mais acessível.
58 Um dos dez princípios fundamentais de usabilidade que foi desenvolvido por Nielsen e seus colegas é chamado “simplicidade”.
59 Segundo o conceito de design minimalista, o designer deve evitar o uso de informações pouco necessárias ou irrelevantes.
60 O princípio de usabilidade — flexibilidade e eficiência de uso — é relevante tanto para usuários inexperientes quanto para usuários experientes, porque fornece aceleradores invisíveis ao primeiro grupo e permite ao segundo grupo realizar tarefas com mais rapidez.


(TCU 2010 CESPE) Com referência à engenharia de usabilidade, julgue os próximos
itens.
104 Vantagem competitiva e redução de custos de manutenção estão entre os benefícios mensuráveis que podem ser obtidos de um sistema usável.
105 Identificar categorias e definir os objetivos de teste para cada categoria são recomendações normalmente consideradas para a elaboração de teste de usabilidade.
106 Se um sistema é utilizável com instrução ou ajuda contínua, então há usabilidade nesse sistema.
107 Uma questão do tipo A interação é simples? jamais deve ser utilizada para determinar se a usabilidade foi atingida em um sistema.

(UNIPAMPA 2009 CESPE) O estudo do comportamento de busca dos usuários aplica-se tanto às bibliotecas tradicionais quanto às digitais, já os estudos de usabilidade são relevantes para a avaliação de bibliotecas digitais. Julgue os itens seguintes, relativos a esses estudos.
56 Os estudos de usabilidade são realizados geralmente quando o sítio da biblioteca digital já se encontra terminado e disponível ao público.
57 Além dos aspectos relativos às facilidades de uso do sítio da biblioteca digital, os estudos de usabilidade levam em conta a motivação e o contexto de busca do usuário.
58 A realização de estudos de comportamento de usuários deve considerar que a busca por informação é um processo dinâmico, em que métodos e critérios para seleção ou
rejeição de informação variam com o tempo, e está fortemente relacionada aos hábitos pessoais do indivíduo e ao tipo de necessidade que deve ser satisfeita.
59 O questionário é um instrumento utilizado para coleta de dados tanto em estudos de comportamento de usuários quanto em estudos de usabilidade.
60 Estudos de usabilidade envolvem questões subjetivas que variam de pessoa a pessoa, tais como facilidade e tempo de retenção do aprendizado.
(UNIPAMPA 2009 CESPE)A arquitetura da informação, em ambientes web, determina a forma de organização do conteúdo e da navegação do usuário. Esse tipo de arquitetura
66 utiliza esquemas exatos, ambíguos ou híbridos para a organização de conteúdos.
67 preocupa-se com a estruturação dos documentos a serem publicados na Web e com os aspectos de usabilidade dos sítios web.
68 utiliza, necessariamente, a navegação hierárquica, com base em uma estrutura taxonômica de termos que representam os conteúdos disponíveis em determinado sítio.
69 contempla o planejamento dos fluxos de informação e das funcionalidades de um recurso para tornar o ambiente web adequado ao usuário final.

GABARITO -
(ABIN 2010 CESPE)145 146 147 148 149 150 - C E C C C E
(INMETRO 2009 CESPE) 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 - E C E E C E C E C E C
115 116 117 118 119 120 - E C E E E C
(MCT 2008 CESPE)51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
E C E E C C E E C C C E C C E E E E E E
(TCU 2010 CESPE) 104 105 106 107 - C C E E
(UNIPAMPA 2009 CESPE)51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
C C E E E E E C C C E E E C E C C E C C
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